Como escrever
Papel, à mão, sem correções. Começa por “o que nunca te disse foi” e não te censures: a carta não tem leitor. Escreve até a mão parar sozinha, não até parecer bonito.
Rituais
Há conversas que não vão acontecer: pessoas que partiram, portas fechadas, versões de ti que já não existem. Este ritual não repara a relação — arruma o que ficou dentro de ti.
Papel, à mão, sem correções. Começa por “o que nunca te disse foi” e não te censures: a carta não tem leitor. Escreve até a mão parar sozinha, não até parecer bonito.
Escolhe um destino antes de escrever: guardar numa gaveta durante um mês, queimar em segurança, enterrar junto a uma planta. Decidir o destino primeiro impede que a carta vire mais uma coisa pendente.
Se ao escrever a dor ficar maior do que sabes carregar sozinho, para e fala com alguém em quem confies. Um ritual não substitui apoio humano nem cuidados de saúde.
Se te apetecer, a Myrsella continua esta conversa contigo.