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Rituais

A Carta que Não se Envia

Há conversas que não vão acontecer: pessoas que partiram, portas fechadas, versões de ti que já não existem. Este ritual não repara a relação — arruma o que ficou dentro de ti.

Como escrever

Papel, à mão, sem correções. Começa por “o que nunca te disse foi” e não te censures: a carta não tem leitor. Escreve até a mão parar sozinha, não até parecer bonito.

O que fazer com ela

Escolhe um destino antes de escrever: guardar numa gaveta durante um mês, queimar em segurança, enterrar junto a uma planta. Decidir o destino primeiro impede que a carta vire mais uma coisa pendente.

Quando não é a hora

Se ao escrever a dor ficar maior do que sabes carregar sozinho, para e fala com alguém em quem confies. Um ritual não substitui apoio humano nem cuidados de saúde.

Se te apetecer, a Myrsella continua esta conversa contigo.

Perguntas frequentes

Posso enviá-la mais tarde?
Podes, mas então já é outra coisa: uma decisão de comunicação, não este ritual. Espera pelo menos uma semana antes de decidir.
Serve para quem já morreu?
É o uso mais comum. Muitas pessoas escrevem-na uma vez por ano, na data que importa.